Igreja Pentecostal de Jesus Cristo

Os sete pilares da súplica de Davi

Quando se inicia um novo ano ou se encerra um ciclo em nossas vidas, fazemos uma análise, uma espécie de retrospectiva dos nossos passos, das nossas atitudes e, principalmente, da nossa condição espiritual perante Deus. Será que temos sido verdadeiros cristãos, será que existe em nós um coração que agrada a Deus, como Ele deu testemunho do rei Davi? (I Samuel 13.14). Será que habita em nós um espírito reto e desejoso da comunhão com o Senhor? A partir dessa auto análise e tomando por referência o capítulo 51 do livro de Salmos, gostaria de convidá-lo, caro leitor, aos sete pedidos feitos pelo salmista Davi nesse texto tão preciso e, meu real desejo, é que tais súplicas sirvam como bússola norteadora da nossa fé cristã. 1)MISERICÓRDIA. Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade: O profeta Jeremias, no livro de Lamentações, rogando a bondade do Senhor afirma que as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim e novas são a cada manhã (Lamentações 3. 22,23). Passando por um período de autoavaliação, Davi reconhece sua pequenez perante um Deus tão perdoador e tardio em irar-se, desejando ser alvo de tamanha compaixão. Que antes de pedirmos qualquer coisa, reconheçamos contristados e quebrantados que precisamos desta graça misericordiosa do Senhor. 2)TRANSGRESSÕES APAGADAS. Apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias. Lava-me completamente da minha iniquidade, e purifica-me do meu pecado: Além de reconhecer a misericórdia inquestionável de Deus, o salmista suplica o perdão do Senhor, para que lance no mar do esquecimento todas as suas transgressões que lhe pesavam sobre os ombros, fruto de um coração realmente arrependido. Miquéias 7.19 afirma que Deus lança todos os nossos pecados nas profundezas do mar e Hebreus 10.17 confirma esta palavra quando afirma que Deus não lembra mais dos nossos pecados e iniquidades. Nos versículos que sucedem a esse pedido, Davi reconhece que pecou contra o Senhor e fez o que era mal perante seus olhos e pede ao Senhor que lhe conceda honra outra vez a fim de ser justificado quando falar ou julgar. Todo caráter moldado por Cristo precisa se auto julgar e submeter suas misérias perante as misericórdias perdoadoras de Deus, a fim de não envergonhar-se de seu testemunho perante os outros. Paulo advertindo a Timóteo afirma: Procura, isto sim, apresentar-te aprovado diante de Deus, como obreiro que não tem do que se envergonhar (II Timóteo 2.15). 3)PURIFICAÇÃO. Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava- -me, e ficarei mais branco do que a neve: O hissopo era um arbusto aromático de um metro de altura, com cachos de flores, que crescia nas fendas das rochas, uma espé- cie de planta medicinal. Talvez Davi tenha se lembrado da décima praga, quando todos os primogênitos do Egito morreram e os de Israel sobreviveram porque os israelitas molharam um feixe de hissopo no sangue de um cordeiro sem defeito, morto naquele dia, e besuntaram o alto e as laterais da porta de suas casas. Graças a essa providência, que prefigurava o sacrifício do “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1.29), eles foram poupados e puderam sair do Egito (Êxodo 12.22). Muitos anos depois, João diria que “o sangue de Jesus, o Filho de Deus, nos purifica de todo pecado” (I João 1.7). 4)CURA. Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que gozem os ossos que tu quebraste. Reconhecendo a ausência de integridade espiritual após seu pecado, Davi sentia no corpo físico as mazelas espirituais que sofria. A correção de Deus por meio do profeta Natã foi tão esmagadora, que o salmista sentiu no fí- sico o resultado da punição divina (“Pois o Senhor disciplina a quem ama, e castiga todo aquele a quem aceita como filho” Hebreus 12.6 / “Nenhuma disciplina parece ser motivo de alegria no momento, mas sim de tristeza. Mais tarde, porém, produz fruto de justiça e paz para aqueles que por ela foram exercitados” Hebreus 12.11). A mão do Senhor que disciplina é uma mão de amor. Uma vez sarado espiritualmente, Davi sentiria júbilo e alegria. 5)CORAÇÃO PURO. Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto. Qual cristão não sentiu um alí- vio sublime quando perdoado por Deus? Davi suplicava por um coração puro, sem raiz de amargura ou rancor, implorava por um renovo a fim de ter retidão de espírito. O coração perdoado é puro, livre da consciência pesada. Romanos 8.1 nos ensina que nenhuma condena- ção há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. O rei Davi queria tão somente retomar sua vida espiritual e crucificar as paixões carnais que lhe distanciaram do seu Criador, pois sabia que por si mesmo jamais poderia se purificar ou se justificar perante Deus. Eis aí um coração humilde, segundo o coração de Deus. 6)PRESENÇA DO ESPÍRITO SANTO. Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo. Em Provérbios 28.13 há um grande ensinamento: O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia. Deus é um pai compassivo e misericordioso, todavia, sua bondade alcança apenas quem humildemente confessa seu pecado, abandonando-o, e se submete ao Senhor sem reservas. Desta forma, podemos achegar perante o Pai a fim de que não nos lance fora de sua presença e nem retire de nós seu doce Espírito Santo. O Salmista reconhecia que sem tamanha presença, de nada adiantaria um brilhante reinado. A presença do Senhor é a garantia da vitória, ao passo que sua ausência é a sentença lavrada da derrota e decepção. Que essa presença sublime nos acompanhe neste ano de 2017. Que façamos nossas as palavras de Moisés quando suplicava a presença do Altíssimo como companhia no caminho à terra prometida: se não fores com o teu povo, não nos faça sair deste lugar (Êxodo 3.15). Nada, nenhum bem material, nenhum casamento sólido, nem filhos, nem saúde, nem dinheiro, nem sucesso profissional, absolutamente nada pode substituir a real presença prazerosa do Espírito Santo na vida do verdadeiro cristão. Que essa seja nossa oração. 7)ALEGRIA DA SALVAÇÃO. Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário. Querer vencer ocultando o mal num cantinho do coração, é como querer navegar sem soltar a âncora. Quando o homem se vê livre do peso da culpa, quando se sente realmente perdoado do seu pecado, pode, então, navegar no mar da paz, alegrar-se por ter seu nome escrito no Livro da Vida, sentir-se parte integrante do Reino de Deus. A alegria da salvação sobrepõe-se a qualquer alegria terrena, por mais forte que esta possa ser. O resultado da alegria da salvação é um coração voluntário. Davi enxergou a consequência da voluntariedade de um coração alegre pela salvação, ele ensinaria aos pecadores e estes se converteriam ao Senhor. Um coração voluntário é leve, age por vontade própria, sem obedecer ordens e sem ser subordinado. Ele faz porque tem prazer em fazê-lo, desprendido de qualquer recompensa. Que o Senhor ache em nós este coração voluntário, movido pela alegria da salvação, não esperando a moeda de troca, mas desapegado de qualquer retribuição, porque de graça recebestes, de graça dai... (Mateus 10.8). Que Deus, em seu filho Jesus, nos ensine essas preciosas lições de amor. Pastor Ademar Alves Lacerda


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